Ainda existem alguns mitos sobre as práticas de meditação
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Alguns mitos sobre a meditação

Eu sou a Sílvia, pratico meditação desde 2001 e desde então que me dedico ao estudo e pratica de diferentes técnicas meditativas e musicoterapeuticas. Em 2008 comecei a desenvolver a Musicomeditativa® (técnica que une meditação e música) e em 2016 conclui um estudo cientifico sobre os seus efeitos e benefícios. Hoje estou aqui para partilhar um pouco sobre alguns mitos e dogmas que existem em torno da meditação.

1º Meditar versos Meditação

Meditar é o ato de concretizar a técnica de meditação.
Meditação é a técnica usada pela pessoa que vai meditar.

2º “Vou meditar sobre o assunto”

É uma frase tipo usada erradamente pela sociedade, pois meditar para um praticante de meditação não é refletir.
Refletir é pensar, organizar, analisar. Logo refletir é aumentar os impulsos cerebrais por segundo. Cientificamente falando refletir é produzir entre 12 a 50 impulsos cerebrais por segundo, ou seja, é produzir ondas BETA (as ondas são as sinapses cerebrais).
Já as ondas DELTA encontram-se entre 0,5 a 4 icps e é aqui que um meditador pretende chegar. Sendo assim entendemos que refletir é gerar agitação mental e não tranquilidade mental.
Meditar é diminuir os impulsos cerebrais, é libertar o cérebro das imagens mentais que são produzidas a cada instante, que poderão levar ao colapso. Meditar é libertar o cérebro do excesso de informação para que este possa manter o corpo em equilíbrio, devolvendo assim ao corpo o seu estado natural, saudável e harmonioso.
É importante refletir, pois refletir gera aprendizagem, crescimento… mas também é importante meditar para que possamos estar em equilíbrio mental. Certamente que a partir de agora diremos “vou refletir sobre o assunto”.

3º Só existe uma técnica de meditação?!

Não. Existem inúmeras técnicas de meditação. “Podemos encontrar mais de 100 técnicas de meditação nos dias de hoje (Cardoso, 2015; Gaspar, 2015), diz-se que só Buda ensinou mais de 80 (Gaspar, 2015). Não existe uma técnica correta ou errada, boa ou má, todas elas são válidas, todas são diferentes, mas todas tem um único objetivo: induzir a um estado meditativo (Cardoso, 2015). Algumas técnicas:
Meditação Zen ou Zazen – é uma Meditação Budista, criada por Buda há 2500 anos a.c. A posição é estática e objetivo é a submissão e o sacrifício em prol de algo. Detém “Soto”, desligar a razão, silenciar a mente; “Rinzai” ir além da razão, dando origem à intuição, é um despertar a consciência (Gildo, 2007; Villalba, 2015).
Meditação Transcendental – É uma adaptação ocidental, das antigas práticas de Yoga. Foi desenvolvida e introduzida no ocidente por Maharishi Mahesh no ano de 1955. Consiste em estar sentado de olhos fechados, durante 15 a 20 minutos, repetindo um mantra. (Assis, 2013; Davich, 2010; Gildo, 2007).
Meditação Dinâmica – Foi criada por Osho no ano de 1968, é uma técnica contemporânea das meditações xamãs, sufi e outras. Consiste em realizar determinados movimentos e focar a atenção neles (Osho, 2004).
Meditação Mindfulness – foi criada por Jon Kabat-Zinn em 1979, baseia-se nas técnicas budistas. Consiste em manter a atenção no momento presente, de forma a encontrar a saída do labirinto (Gaspar, 2015; Simón, 2014).
Meditação Yoga (Raja) – criada por Patanjali (sábio da antiga Índia) conjuga a concentração do momento com posturas corporais para atingir a espiritualidade.
Meditação Vipassana – baseia-se nos ensinamentos do Monge Beneditino e centra-se na atenção disciplinada das sensações do corpo, repetindo constantemente a palavra “MARANATHA” – palavra aramaica que significa “vem senhor”. Esta técnica é definida como “Ver as coisas como realmente são”.
Meditação Tibetana (Budismo Vajrayana) – baseada nos ensinamentos do Mestre Padma Sanbava, onde utiliza mandalas, gestos corporais e mudras, juntamente com mantras cantados de forma a atingir o nirvana.
Meditação Taoísta (sorriso interior) – tem como objetivo harmonizar os diferentes órgãos do corpo, de forma a evitar energias nocivas, para isso é transmitida através do sorriso interior boa energia aos órgãos para que eles sorriam.
Meditação Chi Kung – desenvolvida por Luohan Chi Kung, tem como objetivo equilibrar o corpo, a mente e o espirito. Usa vários exercícios sempre em movimento de forma a ativar e a movimentar a energia interior (Nelson Barroso).
Meditação Sufí – foi desenvolvida pelos Mevlevi, é uma técnica milenar que utiliza uma dança sagrada (girar/rodopiar) praticada na Turquia e no Irão e tem como objetivo fazer a ligação com o universo.
Musicomeditativa® – desenvolvida por Sílvia Fernandes Gomes desde 2008,  Baseia-se numa estrutura sequencial meditativa conjugada com uma sequência musical específica, música e meditação lado a dado para um só fim, proporcionar ao praticante um momento único e maravilho e gerar alterações fisiopsicológicas como ser mais calmo, mais tranquilo, mais alegre, mais confiante…(Gomes, 2014, Gomes 2016).

4º A meditação é religião?

Não, a mediação não é uma pratica religiosa.
As práticas meditativas auxiliam na concentração, no foco, na libertação e ao longo dos tempos, algumas praticas de meditação acabaram por ser adoptadas por crenças religiosas, outra das práticas de meditação acabaram por ser desenvolvidas pelas próprias religiões, como é o caso da prática de repetir constantemente uma frase (oração) com o intuito de auxiliar na ligação com o Supremo.
A meditação auxilia na libertação dos pensamentos e aumenta o foco em determinada “tarefa”, assim será “fácil” entrar em conexão com o Supremo e por isso a técnica é usada por muitas religiões. Ao meditar o praticante vai transformando as construções mentais que levarão a uma mudança psicofisiológica. Por consequência a mudança de pensamento gera uma mudança de atitude e de comportamento, que por sua vez gera uma transformação ou concretização do objetivo pretendido.
Meditar é sem dúvida uma prática rica para os crentes religiosos, embora as técnicas meditativas não estejam vinculadas a qualquer crença religiosa, ou seja, ninguém precisa de pertencer a esta ou aquela religião para que possa praticar meditação.

5º “Eu não consigo meditar” ou “Meditar é uma seca”

Estas frases tipo são usadas por muitas pessoas que não costumam praticar meditação. Também eu (Sílvia) fui descrente no inicio, mas saiba que meditar é mais simples do que se imagina.
No geral, a sociedade tem por mania colocar expectativas sobre as coisas que não conhece, ou então, criticar sem ter experimentado. O meu conselho é: EXPERIMENTE, SINTA. Mas a questão é que não podemos experimentar apenas uma vez. Por exemplo: eu gostaria de ser uma excelente jogadora de futebol, então vou experimentar uma aula. Como eu não entendo nada de futebol e nunca joguei, é normal que essa primeira aula seja um desastre. E como foi um desastre eu vou dizer: ai eu não tenho jeito pra aquilo, o futebol é uma seca. E o que é que rapidamente você (leitor) me diria?! Tens de ir mais vezes, tentar, trabalhar para poderes conseguir jogar, não é na primeira aula que te vais tornar um jogador esplendido.
O mesmo acontece com a meditação ou com qualquer outra área da vida.
É preciso ir, persistir, treinar até conseguir e depois vem a ALEGRIA por ter conseguido.
Compreendo que parar possa parecer uma tarefa quase impossível nesta sociedade extremamente agitada, mas acredite que é possível sim. Basta querer, ir, praticar e durante a prática livrar-se dos preconceitos e entregar ao momento, só assim é que a magia acontece. Naturalmente que não é na primeira aula que vai “deixar de pensar”, lembro que só com treino continuo é que vai conseguir acalmar a sua mente e sentir a plenitude.

6º “Eu não consigo estar sentado naquela postura de pernas cruzadas”

Para começar a praticar meditação é importante encontrar a prática certa para si, com uma postura que seja confortável para si. E saiba que nem todas as praticas/técnicas de meditação são realizadas sentadas. Há práticas para todos os gostos, sentadas, em pé, deitadas, em movimento, estáticas… Por exemplo: a Musicomeditativa® é uma pratica que tem um pouco de tudo (tem aulas deitadas e outras que variam), o mais importante é que a pessoa se sinta confortável e que confie no seu mestre. Vá, experimente e sinta.

7º “Eu não é preciso meditar”

Parar é tão importante como agir. Tal como é importante exercitar o corpo para que este se mantenha saudável, também é importante exercitar o cérebro para que ele se mantenha saudável e possibilite o corpo de se manter saudável também.
Um cérebro que não medita é como um carro sempre com o motor ligado, por isso é importante parar (Osho), mas também é preciso saber parar (Cardoso, 2015).
O exercício de meditar é simples, mas tal como em qualquer músculo do corpo, o cérebro precisa de treino regular e continuo só assim conseguirá alcançar os objetivos.
Vem pensamento, foca no som e liberta a mente, volta o pensamento, foca no som novamente e liberta a mente… até que um dia tudo será diferente 🙂

8º “Eu posso praticar meditação em casa, sozinha?”

Sim, qualquer pessoa pode praticar meditação em casa. Mas a pergunta é:
(a) Se que quiser ser um bom futebolista deve ir a uma escola aprender técnicas?
(b) Sim. Mas também posso aprender em casa até porque tenho muito jeito.
(a) É verdade, pode aprender em casa porque tem imenso jeito (dom), mas há coisas que só um mestre lhe poderá transmitir e tornar a aprendizagem mais rápida e mais precisa.
Um orientador/professor/mestre de meditação só irá facilitar (em muito) o processo de aprendizagem, para além de ele já ter a experiência para poder ajudar a controlar as dificuldades que possam surgir. Pois o orientador/professor/mestre é um vivente e estudioso da prática e será sempre a melhor pessoa para o orientar.

9º Como é que a meditação liberta o stress?!

Embora pareça estanho, uma prática continua gera transformações no sistema sensitivo, hormonal, nervoso. A prática meditativa atua diretamente no sistema nervoso, principalmente no córtex-frontal. Quando o cérebro recebe a informação relaxar/acalmar envia-a imediatamente para o sistema límbico (responsável por gerir as sua emoções e também o sistema hormonal) e para outras zonas cerebrais, como a glândula pituitária (que se encontra dentro do hipotálamo e controla a produção hormonal). Assim, quando ativa o cérebro através das práticas meditativas, está a aumentar a produção das hormonas de relaxamento e a diminuir as hormonas de stress (como a adrenalina, cortisol), está produção hormonal acalma e relaxa mais o corpo e o corpo relaxado acalma ainda mais a mente e proporciona uma libertação gradual do stress. Para além da transformação física ocorrem também uma transformação mental, pois quando mantém apenas um único foco irá acabar por acalmar os pensamentos e foca-lá no que realmente interessa, assim conseguirá ter uma vida, de certo, mais equilibrada!

Espero ter ajudado e até breve 🙂

 

FONTE: Gomes, Sílvia Fernandes. Musicomeditativa® – manual da técnica. 2014, 2016, 2017. Ed.

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